Ibaneis recua e suspende decreto para proibir atendimento no DF a pacientes do Entorno

Mais cedo, governador disse que medida seria publicada ainda nesta quinta (14). No entanto, após reunião no Ministério da Saúde, apontou que vai atender demanda até conclusão do hospital de campanha em Águas Lindas (GO)

Após afirmar que proibiria hospitais públicos do Distrito Federal de atender pacientes do Entorno com o novo coronavírus, o governador Ibaneis Rocha (MDB) voltou atrás. No fim da tarde desta quinta-feira (14), depois de participar de reunião no Ministério da Saúde, ele disse que a medida está suspensa.

“Com base nessa reunião, inclusive, aquele decreto que eu havia falado em relação a Goiás, fica suspensa a publicação por enquanto.”

Segundo Ibaneis, a reunião no ministério foi “excelente”. “Vamos encaminhar para que a gente melhore a nossa estrutura, inclusive para dar conta de atender as necessidades do Entorno até que o hospital [de campanha] de Águas Lindas (GO) fique pronto”, afirmou.

Até quarta-feira (13), o Distrito Federal tinha 3.192 casos confirmados de coronavírus. Entre eles, 188 são pessoas com residência em Goiás. A capital federal registrou 49 mortes por Covid-19 de residentes da capital e uma do estado goiano até a tarde de quinta-feira (14).

Mudança de opinião

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em pronunciamento — Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em pronunciamento — Foto: Renato Alves/Agência Brasília

A posição é contrária à que Ibaneis havia tomado mais cedo. Na manhã desta quinta, o governador disse que publicaria até o fim do dia um decreto impedindo hospitais públicos de atender pacientes do Entorno. Segundo ele, o estado de calamidade provocado pela pandemia justificava a medida.

Ibaneis fez críticas à reabertura do comércio nas cidades do Entorno e às medidas tomadas pelo governo de Goiás para atender os infectados com o vírus. “Tá tudo aberto, tá tudo funcionando, e aí termina a gente perdendo o controle de tudo.”

“Não foi montada qualquer estrutura de saúde nessas cidades. Já tem 50 dias que foi anunciado um hospital de campanha em Águas Lindas. Até o momento, ele não entrou em funcionamento, não tem previsão para funcionamento.”

O governador disse ainda que a tomada de decisões do tipo por governadores e prefeitos havia sido liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu entendo com muita tranquilidade, a partir da decisão do Supremo que transferiu a responsabilidade dos atos em relação [ao coronavírus] para governadores e prefeitos, houve uma relativização dos outros princípios da Constituição, exatamente pelo motivo da pandemia.”

Reação de Caiado

Ronaldo Caiado, governador de Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Ronaldo Caiado, governador de Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A medida causou reações no governo de Goiás. Em entrevista à TV Anhanguera, o governador Ronaldo Caiado (DEM) disse estar preocupado. “Tentei até falar com o Ibaneis, liguei duas vezes em todos os telefones que tenho e não fui atendido. [Recebo a notícia] em primeiro lugar, com muita preocupação e tristeza”.

Caiado também disse que “o vírus foi trazido de Brasília, porque os brasilienses tem um poder aquisitivo mais alto”.

“As pessoas [brasilienses] passaram férias na Europa, nos EUA, passou a ser um foco de contaminação. Os trabalhadores de Goiás, que moram em Goiás, são domésticos, de limpeza ou de outros órgãos do estado, que trabalham em Brasília e moram em Goiás. Essas pessoas se contaminaram em Brasília”, pontuou Caiado.

Já a Secretaria de Saúde do estado vizinho, afirmou à reportagem que a pasta previa a assinatura de um termo de cooperação com o GDF e que “causa estranheza a reação de Ibaneis”.

Segundo a pasta, “o Secretário de Saúde do estado de Goiás, Ismael Alexandrino, tem mantido diálogo constante com o Secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo, no sentido de assistir à população do Entorno do DF, no que tange assistência em UTI e apoio diagnóstico”.

“Causa estranheza a reação de Ibaneis Rocha, pois além de falar com o secretário Francisco, [Alexandrino] falou também com o próprio governador”.

Hospital de Águas Lindas

Em GO, hospital de campanha construído pelo governo federal não tem data para abrir

Em GO, hospital de campanha construído pelo governo federal não tem data para abrir

Entre os 192 internados em hospitais do DF por Covid-19, até a noite de quarta, 18 eram do estado de Goiás. Ao todo, há 90 pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Em Goiás, um hospital de campanha construído pelo governo federal, em Águas Lindas, que deveria atender pacientes de 33 cidades do Entorno do DF, está de portas fechadas. A construção foi promovida pelo Ministério da Infraestrutura, a um custo de R$ 15 milhões.

Segundo o governo goiano, a estrutura está pronta, com previsão de ser repassada ao estado no dia 21 de maio, mas deve ser entregue sem os 200 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) previstos. Enquanto isso, pacientes procuram por Brasília.

Fonte: G1

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