Advogados cobram até R$ 900 para levar notícias de presos da Papuda

Preocupados com os casos de covid-19 no presídio, familiares têm de lidar com a cobrança para obter informações dos detentos

Diante do crescimento de casos de infecção pelo novo coronavírus na Papuda, os familiares dos detentos estão se vendo em uma situação delicada para conseguir notícias dos entes queridos. Por conta das restrições de contato, os advogados estariam cobrando entre R$ 300 e R$ 900 para conversar com os presos e levar notícia às famílias.

A parente de um detento do bloco Centro de Internamento e Reeducação (CIR) soube que o preso foi diagnosticado com a covid-19 e que passou a ficar isolado, recebendo assistência médica. Desde então, Shirley* não recebeu mais nenhuma notícia.

Na semana passada, começou a funcionar uma espécie de parlatório virtual. Advogados têm sessões de 30 minutos com cada detento, onde ele colhe as informações sobre o estado de saúde para repassar às famílias. Porém, o repasse vem sendo cobrado.

“O advogado está cobrando R$ 300 para uma conversa por videoconferência. E não está tendo vaga. Ele pega um bilhete ou uma carta do familiar e lê para o preso. A fila por esse serviço está enorme”, comenta Shirley, em entrevista ao jornal O Globo.

Familiares de diferentes presos vêm se juntando para pagar um único advogado. O defensor fala com um único detento, mas procura receber informações de diferentes internos e repassar aos familiares. Detalhe: quem foi diagnosticado com o novo coronavírus não pode ir ao espaço usado no parlatório para as sessões virtuais.

A Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) já recebeu denúncia sobre a comercialização dessas sessões virtuais. Todos os dias, o órgão recebe cerca de 200 ligações e mensagens de familiares de presos pedindo ajuda para saber o que está acontecendo dentro da Papuda. A Defensoria Pública alega que ainda não têm acesso ao parlatório virtual.

Casos de infecção

Até o momento, 95 presos foram diagnosticados com a covid-19 na Papuda. O vírus se alastrou com certa rapidez, visto que o primeiro caso foi confirmado há menos de 15 dias. O número de testes aplicados contribui para o alto índice: em um único dia, foram feitos 400 exames.

Além dos 95 detentos, 30 agentes penitenciários também estão infectados. Apesar dos números, a juíza titular da Vara de Execuções Penais, Leila Cury, sinaliza que não há motivo para pânico.

“Os agentes estão afastados do trabalho e os presos estão isolados e sendo acompanhados diuturnamente. Nenhum apresentou necessidade de internação. Não há descontrole da situação”, comentou, ao O Globo.

*nome fictício para preservar a identidade da fonte

Fonte: Jornal de Brasìlia

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