EUA entra em recessão técnica com PIB menor de 0,9% no segundo trimestre

Investidores aumentaram apostas em uma recessão no país devido à alta de juros para combater níveis recordes de inflação

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos recuou 0,9% no segundo trimestre de 2022, informou o Centro de Análises Econômicas nesta quinta-feira (28).

A divulgação contrariou a expectativa do mercado, que projetava um crescimento de 0,5%. O dado é considerado preliminar, e será revisado nos meses de agosto e setembro. O PIB teve queda de 1,5% no primeiro trimestre deste ano.

As revisões costumam ser a norma, e não a exceção, uma vez que o Departamento de Comércio refina repetidamente seus cálculos à medida que novas informações se tornam disponíveis. Cerca de um terço dos números iniciais do PIB dependem de extrapolações estatísticas e suposições na ausência de dados concretos, de acordo com o Federal Reserve de San Francisco.

Com o resultado de dois recuos consecutivos, o país entra na chamada recessão técnica. Entretanto, a declaração oficial desse cenário só é feita nos Estados Unidos pelo Centro de Análises Econômicas, o que ainda não ocorreu.

O centro define uma recessão como “um declínio significativo na atividade econômica espalhada por toda a economia, com duração superior a alguns meses, normalmente visível na produção, emprego, renda real, e outros indicadores”.

Apesar dos recuos no PIB, o mercado de trabalho do país segue aquecido, com geração de vagas e alta de salários, e a taxa de desemprego no país continua em níveis considerados de pleno emprego.

Divulgado nesta quinta-feira, o número de pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos foi de 256 mil, levemente acima dos 253 mil esperados pelo mercado.

O mercado já vinha apostando que a economia do país entraria em recessão, conforme os Estados Unidos enfrentam a maior inflação em mais de 40 anos e o consequente ciclo de alta de juros pelo Federal Reserve para contê-la, no processo desacelerando a economia do país.

Entretanto, os sinais de contração têm aparecido antes do esperado pela maioria dos investidores. A expectativa agora é que, com a economia já desacelerando, o Fed modere o ciclo de altas, com elevações menores que o previsto inicialmente para evitar piorar o quadro econômico.

Na quarta-feira (27), o Fed elevou os juros em 0,75 ponto percentual, mas o presidente da autarquia, Jerome Powell, sinalizou que os próximos aumentos podem ser menores dependendo dos dados sobre a economia.

No mesmo dia, ele afirmou que os últimos aumentos de juros foram grandes, mas não foram totalmente sentidos pela economia do país. Segundo Powell, a economia norte-americana segue “resiliente”.

A expectativa atual do Fed, disse ele, é de um período de crescimento abaixo da tendência devido ao aperto monetário, algo “necessário para atingir a estabilidade de preços”.

“Recessão é um declínio disseminado entre muitos setores da economia, e não parece ser esse o caso agora”, afirmou. A desaceleração econômica no segundo trimestre foi “notável”, mas a economia ainda caminha para crescimento, segundo Powell.

*Com informações da Reuters

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