Nicolas Prost desafia Senna na Stock com ensinamentos do pai Rei do Rio

20150317210804O francês Nicolas Prost passou a infância sem acompanhar as glórias do pai Alain Prost, tetracampeão de Fórmula 1, proibido pela mãe de ver as corridas na televisão. Quando decidiu seguir carreira no automobilismo, no entanto, começou a contar com apoio e conselhos do principal rival do brasileiro Ayrton Senna.

Neste domingo, o herdeiro de Prost disputará a etapa de abertura da Stock Car, em Goiânia, reeditando uma rivalidade histórica de famílias diante da torcida brasileira, já que Bruno Senna também estará na corrida. Os dois foram convidados para a prova de duplas pela equipe Prati-Donaduzzi. O francês será companheiro de Júlio Campos. O brasileiro, de Antonio Pizzonia.

Eles duelaram nos últimos anos no Mundial de Endurance e se enfrentam regularmente nas pistas da Fórmula E, categoria em que Prost venceu o Grand Prêmio de Miami no último domingo e assumiu a liderança da temporada, ultrapassando o brasileiro Lucas di Grassi. Bruno Senna abandonou a prova com problemas na suspensão e ocupa a 13ª colocação do campeonato.

“Claro que meu pai acompanha minha carreira, mas fica mais nos bastidores. Ele me aconselha principalmente na atitude e no jeito de encarar as provas”, explicou Nicolas Prost à Gazeta Esportiva. “Não acompanhava meu pai nas corridas e não tinha nem o direito de vê-lo na TV. Minha única lembrança foi quando ele conquistou o tetracampeonato (da F1) em 1993. Excepcionalmente, minha mãe me deixou ver as últimas voltas!”, afirmou.

A prova deste domingo em Goiânia não será a primeira no País do herdeiro de Alain Prost, apelidado de Rei do Rio por suas seis vitórias no Grande Prêmio do Brasil de F1 – cinco delas em Jacarepaguá. Nicolas já disputou três vezes as 6 Horas de São Paulo, etapa nacional do Mundial de Endurance.

E seu histórico no Brasil, assim como o de seu pai, é positivo. Em todas as provas, ficou entre os quatro primeiros de sua categoria – em 2013 subiu ao pódio com o terceiro posto da classificação geral – e se sentiu acolhido pela torcida local, apesar da histórica disputa entre Alain e Ayrton.

“As pessoas no Brasil sempre foram muito gentis comigo, nunca senti qualquer manifestação por causa da rivalidade entre o Ayrton e meu pai. Só encontrei o Ayrton duas vezes. Numa, ele veio dormir na casa dos meus pais. A outra foi no kart de Bercy em 1993. Eu era muito novo, não tenho uma lembrança particular, mas ele sempre foi muito gentil comigo”, afirmou.

A prova de dezembro de 1993 da qual se lembra Nicolas foi a última disputa entre Ayrton Senna e Alain Prost em uma pista – o piloto local venceu a corrida final do evento e o brasileiro abandonou com problemas em seu veículo. O encerramento do Mundial de F1 daquele ano, e da carreira do francês, marcou também o fim da rivalidade entre os dois pilotos.

Nicolas Prost lamenta que eles não tenham tido tempo de estreitar o vínculo, já que Senna morreu em 1º de maio de 1994, mas coloca os dois entre os principais pilotos do automobilismo mundial.

“Penso que não podemos comparar e já tivemos tantos pilotos fantásticos. Mas digo que, para mim, Ayrton e papai são os maiores. Acho que sou mais soft e sóbrio, então podemos dizer que pareço mais com meu pai”, avaliou.

Fonte: Gazeta Esportiva

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