No dia dos namorados, quem sofre é Santo Antônio

ÍndiceConhecido como santo casamenteiro, pessoas em busca de parceiros colocam o santo de castigo, na cachaça e realizam outras simpatias para um bom casamento.

Pobre, Santo Antônio. Desde que o taxaram de casamenteiro, ele não teve mais sossego. Já o reviraram de todos os lados, o colocaram de castigo, o salgaram da cabeça aos pés, o afogaram em copos de cachaça e até o jogaram pela janela sem dó nem piedade. Tudo em nome de um amor que ainda não chegou.

Neste sábado (13), a data dedicada ao santo, logo em seguida ao Dia dos Namorados, as duas igrejas em honra a ele – na Asa Sul e em Ceilândia – voltarão a receber centenas de fiéis em busca da pessoa amada. No imaginário popular, Santo Antônio bate todos os outros e continua sendo encarado como o ser celestial que mais pode dar uma mãozinha na procura por um grande amor.

Com o passar dos anos, sem que a Igreja Católica tivesse qualquer controle, o que era para ser apenas mais uma devoção consolidou-se como típica mandinga. Pela internet, se propagam as inúmeras simpatias envolvendo o frade franciscano que, reza a lenda, ajudava moças da época a se casarem, doando a elas parte do que ganhava.

Superstições

Os padres até tentam orientar as fiéis – sim, elas são maioria entre os devotos de Santo Antônio – a tomarem cuidado com o excesso de superstições, que contrariam os ensinamentos da Igreja. As pregações nesse sentido, porém, dificilmente encontram terreno fértil.

“Sempre existem aquelas que, desesperadas para casar, castigam o santo, o viram de qualquer jeito, fazem novena, trezena, tudo. Não é uma grande maldade, mas procuramos pedir ao povo que fique atento aos excessos”, comenta o padre Valdinei Lobo de Almeida, pároco da igreja de Santo Antônio em Ceilândia.

Quando a “devoção sadia” supera as brincadeiras, pondera o religioso, a intercessão do santo pode surtir efeito. “Temos casos na paróquia de mulheres acima de 40, 50 anos que não tinham mais esperança de casar e acabaram subindo ao altar após rezarem ao santo”, conta.

Grande teólogo

A vida de Santo Antônio não se restringe ao título de casamenteiro. Nos escritos da Igreja, o frade aparece como homem culto, grande teólogo, defensor da fé e dos pobres. É essa “purificação da devoção” que a Igreja tenta fazer valer, embora as superstições falem mais alto e deem muito mais Ibope.

“O problema é que as pessoas pensam muito em resolver suas situações pessoais imediatamente, sem se preocuparem tanto com o percurso da fé”, puxa a orelha o frei Paulo Sérgio de Souza, pároco da igreja de Santo Antônio na Asa Sul.

Na ânsia de encontrarem a tal alma gêmea, analisa frei Paulo, fiéis deixam a doutrina de lado e acabam inserindo o santo na lógica da Lei da Atração, aquela em que, acredita-se, os pensamentos ditam a realidade.

“Quando há muito exagero na devoção, ela acaba se igualando a uma corrente como qualquer outra. Particularmente, não acredito que virar santo de cabeça para baixo traz a pessoa amada”, prega o padre.

À primeira vista

Sem o aval da Santa Sé, diversas histórias associadas ao santo se repetem, transformando-se em fato autêntico, pelo menos no entender das fiéis. Uma das mais conhecidas é a de uma jovem italiana que, embevecida pelo desejo de casar, atirou a imagem de Santo Antônio pela janela, atingindo um rapaz por quem se apaixonaria à primeira vista.

Superstição ou não, muitos casais procuram igrejas de Santo Antônio para casar justamente no dia 13 de junho. Por conta da grande movimentação de fiéis, os párocos, no entanto, não liberam a agenda nem com reza braba.

SERVIÇO

Neste dia 13, haverá nove missas na igreja Santo Antônio da 911 Sul. Confira os horários: 6h, 7h15, 8h30, 10h, 12h, 15h, 17h, 18h30 e 20h. No sábado e no domingo, haverá festa com as tradicionais barraquinhas de comidas típicas, entre 12h e 23h. Na igreja da Ceilândia (QNM 29), onde também haverá festejo, as missas serão às 8h e 19h.

Fonte: Fato Online

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