Músico do DF vence disputa por direito de levar instrumento de dois metros no Metrô

6cs30iudrk_2i2cmq6hxw_fileCom o vai e vem cada vez maior de passageiros, o Metrô do DF busca medidas para melhorar o funcionamento dos trens. Uma delas é a proibição do transporte de objetos muito grandes. O músico Gabriel Preusse poderia ser só mais um barrado de entrar no metrô com um objeto maior que o permitido, mas não foi.

Quando tentava entrar em uma estação com um contrabaixo de cerca de dois metros de altura usado como instrumento de trabalho em dezembro de 2012, ele foi impedido por uma funcionária do local. Ele tentou argumentar que o contrabaixo seria usado para trabalhar, mas o argumento não foi aceito.

Contrariado, Preusse acionou a ouvidoria do órgão. Ele enviou um e-mail com todas as especificações de tamanho e história do instrumento. A resposta, quase automática, lembrou o músico sobre a proibição.

Segundo o decreto número 26.516 de 2005, que regulamenta o transporte metroviário da capital, os passageiros podem transportar apenas volumes com dimensões até 1,5m x 0,6m x 0,4m ou que não prejudiquem o funcionamento do transporte. Dependendo do movimento e horário, é possível uma liberação especial.

Em resposta à ouvidoria, Preusse usou como argumento os direitos constitucionais de ir e vir e de trabalho, seja ele rural ou urbano, garantido, inclusive, na Lei Orgânica do Distrito Federal. Ele argumentou também que consegue transportar o contrabaixo sozinho, sem nenhum problema.

No e-mail, Gabriel foi enfático ao mostrar as limitações que o transporte público da capital sofre.

— Minha indignação se refere a falta de incentivo, investimento e boicote no uso de transporte público na capital do país, o que vai contra aos princípios globais de qualidade de vida e mobilidade urbana.

Ainda em conversa com o órgão, Preusse disse o porquê da reivindicação.

— Quero deixar registrado que a minha reivindicação é por uma causa coletiva. Por melhoria dos transportes públicos e melhores condições de mobilidade urbana na capital federal.

Após os argumentos usados por Preusse, a Ouvidoria do Metrô-DF liberou a entrada de músicos portando contrabaixos.

— Em atenção, informamos que após apreciação e pronunciamento da Procuradoria Jurídica, a Companhia do Metropolitano se posicionou favorável à entrada no sistema, de usuários portando instrumento musical denominado Contrabaixo Acústico, desde que acondicionado em capa protetora e transportado no último vagão, sem restrição de horário.

Segundo o órgão, desde então, a decisão é respeitada por todos os funcionários que trabalham nas estações e que eles estão orientados a liberar a entrada de músicos.

Mesmo sendo morador de Planaltina, região que não é atendida pelo Metrô, Gabriel Preusse se diz satisfeito com a vitória. Ele afirma que o envolvimento dos amigos foi essencial.

— Uma coisa que me ajudou muito foram as redes sociais. Deu uma audiência muito grande. Isso me ajudou bastante.

A assessoria de comunicação do Metrô explica que as proibições podem ser flexibilizadas de acordo com o horário e movimento.

Fonte: R7

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