Companhias brasilienses de dança podem representar país nos EUA e Curitiba

“Ou a gente acredita e faz valer a pena, ou ninguém acredita pela gente.” As palavras de Rafael Nino, diretor da companhia brasiliense de street dance Have Dreams, confirmam a esperança de participar de um campeonato internacional. Assim como a Have Dreams, a companhia Tekamül Base também está se preparando para viajar e competir em palcos além da cidade nos próximos dias. Contudo, levar o nome de Brasília na mala custa caro, e os grupos não estão medindo esforços para representar a capital do país.

A Have Dreams foi selecionada — junto a mais de 40 países — para participar do Campeonato Mundial de Hip-Hop, que ocorrerá em agosto, em Phoenix, Arizona. A seleção para a categoria mega crew (tradução literal para grande equipe) no campeonato foi graças à vitória na competição sul-americana de hip-hop, no Rio Grande do Sul, em outubro passado. A companhia Tekamül Base se encontra na mesma situação: sem o financiamento total, busca apoio para se apresentar no 16 º Festival Internacional de Hip-Hop, em Curitiba.
Thallyssonn Nunes/Divulgacao
O financiamento para a competição norte-americana caminha em passos lentos. Levar todos os bailarinos ao exterior custa em torno de R$ 140 mil. Segundo Nino, a burocracia para conseguir recursos, por meio de iniciativas de fomento à cultura, tem sido um empecilho para a oportunidade. “A burocracia atrapalha muito a gente na questão financeira. Tentamos de várias maneiras, entregamos os documentos, mas não obtivemos resposta. Está empacado”, conta.
Em paralelo à falta de incentivo público, a Have Dreams enfrenta outras dificuldades até a viagem aos Estados Unidos. Dilvan Rodriguez, também diretor do grupo, confirma a presença de diferentes níveis sociais dentro da equipe. “Temos pessoas com mais condições, e outras, não. Saber lidar com essa discrepância é um grande desafio”, explica.
Foi a partir daí que a companhia resolveu buscar alternativas para conseguir a verba necessária para a viagem. “Normalmente, as pessoas que mais ajudam são os próprios familiares dos integrantes”, relata Maíra Maranhão, da Have Dreams. Por meio de sites colaborativos, o grupo recebe doações de qualquer valor. Por enquanto, os bailarinos conseguiram 5% da meta da arrecadação. O grupo tem organizado sorteios e vendas de rifas para juntar a quantia.
 

Oportunidades

A companhia foi fundada em outubro de 2010, por Nino e Rodriguez. Atualmente, 30 dançarinos compõem a equipe — a maioria, jovens. Álef Valêncio tem 16 anos e é o mais novo da equipe. Ele ainda é iniciante na dança — está há menos de um ano dentro da companhia — e diz que a oportunidade de participar de um campeonato internacional pela primeira vez influenciará oportunidades futuras. “O Hip-Hop International é um evento que a gente não vai só para competir, mas para garantir experiência. Eu penso que a maioria das pessoas que dançam tem um sonho de estar lá, então me sinto privilegiado”, conta.
Dançarina do grupo desde 2014, Maíra compartilha o sentimento. “Estou com uma mistura de ansiedade, nervosismo e felicidade.” Porém, a dor de cabeça é com relação à arrecadação do dinheiro para a viagem. Maíra se refere ao concurso em San Diego, na Califórnia, que o grupo participou em 2015. Com persistência, a equipe se saiu bem no campeonato e agora espera repetir a experiência em outra cidade.

Do Centro ao Sul 

A companhia Tekamül Base carrega no nome a palavra evolução. O grupo de dançarinos adolescentes tem o objetivo de crescer no mundo da dança, assim como a Have Dreams. A equipe foi selecionada para o 16º Festival Internacional de Hip-Hop, que ocorre entre 7 e 9 de julho, no em Curitiba.
É a segunda participação que a Tekamül Base faz no festival na categoria sênior, concorrerá com 40 trabalhos nacionais e internacionais. De passagem comprada, a jovem Maria Rocha, de 19 anos, estreia com a Tekamül na competição. “A expectativa é sempre alta. É a primeira vez que viajo com a Tekamül para competir em um mundial”, diz.
A coreógrafa e fundadora da companhia, Valéria Assunção, pensa como Nino e Rodriguez: ir para um mundial impacta, sem dúvida, a vida de quem participa. “É uma vivência muito diferente da que a gente tem aqui. Além de ser em um dos maiores teatros do Brasil, é uma oportunidade de contato, socialização, crescimento e responsabilidade”, destaca. Valéria cita o Teatro Positivo, em Curitiba, que recebe em palco muitos nomes da arte e da dança.
Formada por 27 membros adolescentes, a Tekamül também lida com desafios para competir fora de Brasília. A maioria dos integrantes depende do financiamento dos pais para viajar, e nem sempre todos têm condições. Para driblar a situação, Valéria acrescenta que a companhia tem feito apresentações e venda de rifas. “Com as últimas três sessões do nosso espetáculo, conseguimos arrecadar metade das despesas que faltam, como o transporte”, relata com esperança.
 
* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Mais informações

Have Dreams
98451-3565
(Rafael Nino)
Tekamül Base
99995-9191
(Valéria Assunção)
Fonte: Correio Braziliense

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