Cura que pode vir da natureza

UnB procura medicações para o tratamento da covid-19 entre as plantas do Cerrado e da Amazônia

Para ajudar no combate à covid-19, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) procura identificar plantas do Cerrado e da Amazônia que possam ser utilizadas na produção de remédios para tratar ou prevenir a doença.

A pesquisa utiliza o mesmo método que já era adotado em estudos do tipo no combate ao HIV, e já foi aprovada pela universidade. Resta ainda obter investimento para que possa ser executada.

Quem explica como funciona a busca é o coordenador da pesquisa e professor de microbiologia da UnB, Luís Kanzaki. “Nós vamos até a floresta coletar as plantas junto com uma equipe que as identifica. E, conforme a indicação das populações que tradicionalmente as utilizam, extraímos a folha, a raiz ou a casca a depender do que for mais indicado”.

Depois de recolhida, a amostra é levada ao laboratório, onde é prensada e desidratada, e então transformada em pó.

Fitoextrato

Esse pó, chamado de fitoextrato, é o material que será utilizado nos estudos e na possível produção de medicações, e é misturado em água ou álcool para que possa ser manipulado em laboratório. “Esse material é processado por técnicas de química natural”, garante o pesquisador.

A mistura é despejada em um líquido onde é feito o cultivo de células que simulam as células do organismo humano. Essas células são cultivadas em laboratório por cerca de 24h, e em seguida são infectadas com o vírus. Uma amostra isolada que não recebe o extrato de planta é utilizada como controle, e a comparação entre a forma como o vírus se manifesta nas duas amostras permite saber se aquela planta é ou não eficaz na prevenção e/ou no tratamento.

Essa técnica já é empregada em laboratórios do mundo todo, e já foi utilizada na UnB na pesquisa por remédios para o SV, ancestral do HIV.

Mesma técnica

“Você pode usar essa técnica para pesquisar medicações contra o Coronavírus, pode usar para o Influenza, pode usar para o Herpes, desde que individualmente”, explica Kanzaki. O objetivo é descobrir se o extrato de alguma planta do Cerrado ou Amazônia é capaz de fazer com que a multiplicação do vírus nas células cultivadas é interrompida ou ao menos reduzida.

O projeto já foi aprovado pela UnB, mas precisa de recursos para ser executado. “Eu estou tentando obter financiamento para colocar em prática. Eu já tenho recursos para um projeto anterior com o HIV, mas ainda não para o novo coronavírus”, afirma Kanzaki.

Pessoas ou organizações interessadas em doar para o projeto podem o fazer pelo site. Outros projetos da UnB voltados para a luta contra a covid-19 também podem receber doações a partir do site. É possível escolher o projeto ou ou doar para um fundo geral de financiamento.

Por Lucas Neiva

Fonte: Jornal de Brasília

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