Torre de TV e Torre Digital: 2 cartões-postais tão diferentes em Brasília

20150428234528104938aUma foi construída em 1967, no coração de Brasília, e até hoje atrai boa parte dos turistas que visitam a capital. A outra foi inaugurada em 2012 e passou apenas pouco mais de um ano aberta ao público

A distância entre a Candangolândia e a Torre de TV Digital é de cerca de 30km, um trajeto considerável diante do trânsito atual de Brasília e do preço da gasolina. Mesmo assim, o garçom Adriano da Silva, 30 anos, que mora na região administrativa, decidiu levar a família em seu dia de folga para conhecer o monumento. Porém, desde 2013 o local está interditado para visitações, fato que ele desconhecia. “Era minha primeira vez na torre e queria muito ter mostrado para o meu filho. Aqui, tudo é longe e acabei dando essa viagem perdida”, reclamou.

O estudante Guilherme de Abreu Meiçó, 28 anos, visita a Torre de TV desde criança. E, desde a infância, ouvia sobre a reforma do mezanino que abrigaria um café. “Nunca imaginei que isso ficaria pronto, só ouvia promessas. Hoje, esse é um dos lugares que eu mais visito em Brasília, não só para passar o dia, como para estudar”, garante. As diferenças entre esses dois símbolos da capital não param por aí.

Erguida ao custo de R$ 80 milhões e inaugurada em 2012, a Flor do Cerrado, como é conhecida a Torre de TV Digital, serve, até hoje, apenas para embelezar o horizonte, com seus 170 metros de altura. Última obra projetada por Oscar Niemeyer, ela ficou aberta apenas por um ano e seis meses. Segundo a Terracap, empresa responsável pelo local, ela foi fechada para instalação de antenas. Porém, quem passa por lá não vê qualquer movimentação relativa a obras. As visitações não têm previsão de ocorrer novamente. Em nota, a Terracap afirma que o local foi fechado “para obras técnicas e civis referentes às adequações feitas pelo CBMDF, Agefis e Defesa Civil.” E continua explicando que a “reabertura da Torre vai depender da finalização das obras em execução e da posterior avaliação e liberação por Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Agefis”.

Para quem busca o lugar, fica só o desapontamento. “A gente se sente decepcionado, até porque não são tantos os locais aonde a gente pode ir de graça em Brasília”, garante a cozinheira Ilda Espoldar, 40 anos, que acompanhava Adriano da Silva. Especialistas apontam a má gestão como o grande problema do monumento. “Ela foi construída para ser um novo ponto turístico, mas sofre com uma gestão deficiente da Terracap. Há problemas de horário de visitação, quantidade de visitantes, falta do café que funcionaria no alto da torre até hoje e sem previsão de solução”, aponta o arquiteto Cristiano Nascimento, integrante do grupo Urbanistas por Brasília.

Já na Torre de TV, a situação é menos desoladora. Ela, que é mais antiga — foi entregue à população em 1967 —, ganhou uma reforma em 2014, que impulsionou seu potencial turístico. Ao custo de R$ 22 milhões, foi após a restauração que o café conceito foi inaugurado. Durante a Copa do Mundo, ela se tornou um dos pontos mais visitados pelos turistas.

Fonte: Correio Braziliense

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