Secretário adjunto flagrado em celular diz à CPI que tudo “foi só troca de mensagens”

Em sessão morna, nesta quinta-feira (12), os deputados da CPI do Transporte da Câmara Legislativa cobraram respostas do secretário adjunto de Mobilidade, Fábio Damasceno, pelo teor de mensagens divulgadas com exclusividade pelo Fato Online, que sugeriam a “descaracterização” das investigações. Damasceno não foi diretamente pressionado, mas ouviu do presidente da CPI, Bispo Renato Andrade (PR) o pedido de providência, feito diretamente ao secretário da pasta, Marcos Dantas, que pode chegar à exoneração dos envolvidos.

  De acordo com Damasceno, conforme o próprio secretário adjunto adiantou à nossa reportagem, quando da divulgação da matéria, as mensagens se referiam a perguntas relacionadas às mudanças que ocorrerão no DFTrans (Transporte Público do DF), declaradas à comissão pelo próprio diretor-geral da autarquia, Leo Carlos Cruz, que resultarão no esvaziamento da mesma.

“Foi apenas uma troca de mensagens, em um momento que foram falados outros assuntos que não os investigados pela CPI. Foi algo pontual, mas as pessoas olham apenas um ponto. Foi tudo esclarecido, e nós vamos colaborar com a CPI e os deputados”, afirmou Fábio Damasceno.

O adjunto disse ainda que, à época das trocas de mensagens, estava lotado na governadoria e que apenas prestava assessoramento ao ex-secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, que saiu para dar lugar a Marcos Dantas, braço direito do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Grupo do WhatsApp

Segundo Damasceno, o grupo foi criado por um servidor da Semob (Secretaria de Mobilidade do DF) chamado Sérgio, mas ele não soube responder o restante do nome. Além dos dois, participavam ainda o ex-secretário adjunto e um outro técnico, que Fábio não quis revelar o nome.

O secretário adjunto afirmou ainda que foi chamado para atuar no transporte de Brasília pelo próprio governador Rodrigo Rollemberg, por indicação do ex-governador capixaba Renato Casagrande, todos do PSB.

A vinda dele, assim como a do diretor-geral do DFtrans, Leo Cruz, foi questionada pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Bispo Renato, que pediu ao menos a abertura de um processo administrativo contra os envolvidos nas trocas de mensagem. Para Bispo, as trocas de mensagens e interferências na CPI eram de conhecimento do governador.

“As mensagens são graves e eu quis apontar isso. Pois ele era assessor do governador, faz parte de um grupo de WhatsApp chamado ‘CPI em Declínio’, que pretendia descaracterizar a CPI e o governador não sabia? Claro que sabia. Por isso, pedi providência, porque agora querem culpar apenas o Sérgio, se tinha outros dois, incluindo o ex-secretário (adjunto)”, apontou Bispo Renato Andrade.

Garantia

O atual secretário Marcos Dantas garantiu aos membros da CPI que já afastou o servidor Sérgio, mas não deu maiores detalhes sobre o que será feito com os responsáveis pelas trocas de mensagens.

O presidente disse ainda que acha estranha a vinda de servidores suspeitos de irregularidades no transporte do Espírito Santo para comandar o sistema do Distrito Federal, incluindo aí a troca de comando da pasta da Mobilidade.

“Por que o Carlos Tomé saiu tão triste e tem outro lá tão feliz? Por que o governador trouxe do Espírito Santo, com tantos problemas, traz a turma da Mobilidade, o Fábio e o Léo e depois coloca na Mobilidade seu braço direito, Marcos Dantas? E não sabia de nada? Quem vai acreditar nisso? Você acredita em Papai Noel? Eu não, assim como não posso acreditar nas explicações dadas aqui”, afirmou o presidente sem revelar maiores detalhes sobre suas suspeitas.

Atuação

O relator da CPI do Transporte, Raimundo Ribeiro (PSDB), lembrou que nas mensagens trocadas com Fábio Damasceno, os membros do grupo falavam sobre a atuação dos deputados que eram da base dentro das investigações. Raimundo disse que dentro da comissão apenas ele e a deputada Sandra Faraj (SD), que não compareceu à CPI, eram governistas.

Ainda assim, Ribeiro não pressionou o depoente e se disse convencido sobre as respostas do secretário adjunto. “Foi uma sessão desconfortável, por ter sido baseada por uma troca de mensagens entre um assessor do governo e outras pessoas, que faz uma afirmativa que não se coaduna com a verdade. Ele fala em descaracterização da CPI e minha preocupação é que aquela fosse a opinião do governo, a quem temos como um parceiro. Parece-me que era aquilo mesmo que ele disse, que no momento da CPI discutíamos o esvaziamento do DFTrans”, convenceu-se Ribeiro.

Os deputados anunciaram que, na próxima semana, como antecipou o Fato Online, apresentarão uma espécie de relatório preliminar da CPI para sugerir uma série de medidas para o governo, que poderão ajudar a minimizar as consequências financeiras para o governo.

Os distritais devem apresentar ainda os primeiros resultados das quebras de sigilos telefônicos dos investigados que já depuseram na CPI do Transporte.

Fonte: Fato Online

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