Rollemberg se reúne com distritais, promete espaço e cobra fidelidade

Reconhecendo erros do primeiro ano de mandato e na tentativa de estabelecer uma base realmente aliada na Câmara Legislativa, o governador Rodrigo Rollemberg almoçou, ontem, com 14 deputados distritais, na Residência Oficial de Águas Claras. No encontro, prometeu chamar os deputados, de um por um, e oferecer espaços, que serão divididos “de forma equilibrada”. Em contrapartida, reiterou, cobrará fidelidade de quem se dispor a estar na base do governo.

Rollemberg, conforme um dos deputados presentes, ouviu as reclamações e admitiu que faltou traquejo político à sua equipe, quando em pauta os vetos aos projetos do Legislativo e as emendas parlamentares. Prometeu estabelecer um cronograma com os valores  para liberação das emendas e reiterou que aumentará a fiscalização sobre o uso do dinheiro público.

Em um prazo de 15 dias, deve chamar os distritais, um a um, para discutir o cronograma de emendas. E, depois de estabelecer os espaços de cada um, disse que cobrará fidelidade e comprometimento. Reuniões regulares com os deputados devem fazer parte da rotina do Executivo neste ano, conforme dissera o governador.

Prioridade

A grande prioridade do governo para o primeiro semestre deste ano, de acordo com o anúncio de Rollembeg, é o projeto que trata das organizações sociais. E deve ser encaminhado logo após a base aliada ser definida e os espaços divididos.

Reginaldo Veras (PDT) confirmou  que o governador prometeu ser mais incisivo “com os chamados deputados da base”, Avisou ainda  que não admitirá falta de apoio aos projetos do Executivo.

Ao mencionar novamente a crise financeira, Rollemberg pediu que os deputados não aprovassem projetos que resultem em aumento de gastos. “O governador  disse que o orçamento está no limite e qualquer novo aumento pode comprometer a gestão”, completou o pedetista.

Ambiente favorável

Para o líder do governo, deputado Julio César Ribeiro (PRB), a reunião foi “muito produtiva”. Ele exalta o fato de ter conseguido reunir 14 dos 24 deputados. As conversas com os parlamentares já vêm ocorrendo, de forma individual ou em grupos, explicou Ribeiro.

Os deputados, na opinião do líder, gostaram do encontro. “Saí um pouco mais confortável, amparado.  E vi que não estou mais sozinho”, brincou, em referência a alguns colegas que se manifestaram, ontem, em defesa do Executivo.

Pelo menos três faltas sentidas

Apesar de ter sido convidado, o  Raimundo Ribeiro (PSDB) não foi ao encontro do governador. Desde que a cúpula da Secretaria de Justiça, indicada por ele, foi exonerada, ele demonstrou chateação explícita pela atitude do Palácio do Buriti.

No almoço, o nome de Ribeiro foi citado e o governador se defendeu, dizendo que não poderia tomar atitude diferente, depois dos desdobramentos da fuga no Complexo Penitenciário da Papuda.

Liliane Roriz, que um dia antes se filiou ao PTB, não foi vista na Residência Oficial. Oficialmente, um compromisso antes assumido foi o motivo da falta da filha do ex-governador Roriz.

Chico Leite, que já articula  candidatura para 2018, declinou do convite de Rollemberg e não compareceu “por ter outro compromisso já agendado anteriormente”. A posição de independência dele com relação ao governo já é conhecida.

Do Executivo, participam o secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, que já foi o articulador do governo na Casa, o atual articulador Igor Tokarski e o assessor que deve ser o futuro negociador do governo com o Legislativo, José Flávio.

Saiba mais

A discussão pela divisão equânime de espaços é antiga. O distrital Juarezão aparece em áudio que vazou de reunião no gabinete de Rollemberg, em junho de 2015,   cobrando que o “bolo” fosse dividido em partes iguais. No almoço de ontem, o parlamentar se apressou em   dizer que  sempre estivera certo, embora tenha sido bastante criticado pelo comentário feito à época.

O ex-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, já falou   que o governo errou ao não estabelecer uma relação republicana com os deputados, mas errou mais ainda ao optar pela “velha política” e fatiar o governo de forma desequilibrada.

Quando ainda era distrital, o hoje conselheiro do Tribunal de Contas Doutor Michel dizia que não era “deputado de segunda classe” e exigia que  os parlamentares tivessem o mesmo tratamento no Palácio do Buriti.

Fonte: Jornal de Brasília

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