Números da Secretaria de Segurança não refletem a insegurança da população

numeros-da-secretaria-de-seguranca-nao-refletem-a-inseguranca-da-populacaoApesar dos números positivos divulgado pela secretaria, nas ruas diminui confiança nas forças de segurança assim como a desconfiança em relação à eficácia da lei.

s dados divulgados pela SSP-DF (Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal), que mostram a queda da maioria dos delitos praticados na cidade, não se reflete na insegurança sentida nas ruas da capital do país. Após a apresentação dos dados, a reportagem do Fato Online foi às ruas para ouvir a população, que discordou das informações oficiais.

Para a população, a violência tem mudado rotinas e atos simples, como estacionar o carro em área pública e até atender a uma ligação na rua. A confiança nas forças de segurança também não é a mesma, assim como a desconfiança em relação à eficácia da lei.

A administradora Cristina Santos, 51 anos, acredita que os dados não condizem com a realidade vista, principalmente, nas redes sociais, onde, segundo ela, os casos têm tido mais soluções.

“As pessoas estão deixando de registrar as ocorrências porque não acreditam que elas possam ser resolvidas pela polícia. As pessoas preferem postar e pedir ajuda para encontrar os bandidos a ir à delegacia”, afirma Cristina, que completa: “Se não estamos comunicando, como esses dados estão corretos?”.

Na quadra 303 da Asa Sul, a violência tem levado lojistas a reforçarem a segurança com grades e até com segurança particular. José Macedo, 71 anos, que trabalha na mesma barbearia há 41 anos e conta que as coisas têm piorado na região.

“Não melhorou nada. Está pior. A quadra está cheia de craqueiros. Certo dia, cheguei a minha loja, que estava arrombada e com tudo revirado, então decidi gradear tudo”, lamenta Macedo, que também discorda dos dados apresentados pela SSP. “Para mim, esses números não são verdadeiros, tanto que tem comerciante querendo sair daqui para instalar sua loja em shopping”.

Um lojista que não quis se identificar conta que sua empresa sofreu duas tentativas de assalto, que acabaram não se concretizando, graças à segurança particular contratada por ele. Mesmo assim, precisou reforçar o número de seguranças em frente ao comércio.

“É essa segurança que está funcionando, junto com a divina, pois em uma das vezes houve troca de tiros e, graças a Deus, nada de grave aconteceu”, relata o empresário.

A insegurança tem inibido os moradores do DF até no ato de atender a uma ligação. Nas ruas, qualquer distração, segundo os moradores, pode acarretar um roubo. “Hoje eu li que aumentaram os assaltos a pedestres, e eles estão dizendo que diminuiu. Tem algo errado em tudo isso. Não temos segurança para nada. O telefone toca na bolsa e não podemos atender, pois se tiro o aparelho para falar posso ser roubada”, protesta a analista Ana Lúcia Franco, 28 anos.

A falta de eficiência da lei também deixa os moradores preocupados. Para o técnico de elevadores Gutemberg Alves de Oliveira, 33 anos, o trabalho da polícia é prejudicado pelas leis.

“A questão da lei é o grande problema. A segurança pública faz o papel dela, mas a lei não deixa o criminoso preso, e logo ele está na rua de novo”, constata Gutemberg.

Jânio Ferreira, 37 anos, afirma que não se sente seguro em deixar o carro em estacionamentos públicos. O analista conta que, em uma oportunidade, ao chegar a seu veículo, encontrou-o sem uma das rodas.

“Acho que ainda falta muito por fazer para melhorar a segurança. Hoje prefiro deixar o carro em um estacionamento pago do que deixar o carro na rua. Se bem que os estacionamentos estão caros, e não dá para ficar dando dinheiro fácil assim”, afirma Jânio Ferreira.

Número oficiais

Segundo o governo, roubo em comércios (-43%), latrocínio (-40,7%) e roubo de veículos (-40,3%), tiveram as maiores quedas entre janeiro e maio deste ano, se comparado ao mesmo período de 2014. Também registraram diminuição o número de casos de furtos em veículo (-14,7%), os roubos em transporte coletivo (-13,7%) e os homicídios (-8,8%).

A SSP registrou aumento nos crimes de  roubo a pedestre (1,7%) e o de lesão corporal seguida de morte subiu 50%.

Fonte: Fato Online

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