Irmão de coronel do Exército morto no DF diz querer a guarda da sobrinha

sergio_muriloO irmão do tenente coronel do Exército Sérgio Murilo Cerqueira, morto na última sexta-feira (15) com um tiro na cabeça em São Sebastião, no Distrito Federal, afirmou nesta terça (19) que vai lutar pela guarda da sobrinha, que tem 13 anos. Marco Vinício de Souza Cerqueira mora no Rio de Janeiro e veio ao DF prestar depoimento à polícia. A filha da vítima está na casa de um tio, que é irmão da professora de artes Cristiana Osório Cerqueira, apontada pela Polícia Civil como a mandante do crime.

Marco Cerqueira afirmou que prometeu ao irmão que cuidaria da filha dele se fosse necessário. “Ela está orfã, realmente a cabeça dela a gente não sabe o que está acontecendo”, disse. “Eu tenho que resolver, eu tenho uma dívida.”

O irmão do oficial do Exército afirmou que os familiares estão em choque. “Ainda estou anestesiado, a ficha está caindo, a minha ficha caiu mesmo depois do enterro, depois que eu vi o corpo lá no Rio [de Janeiro] que a ficha caiu mesmo. A gente ainda não acredita, nem vai acreditar.”

A Polícia Civil confirmou que a arma usada no crime era do tenente coronel. As investigações apontam que o revólver foi dado pelo sogro da vítima, que também é militar, e foi entregue aos suspeitos de cometer o assassinato pela irmã de Cristiana, Cláudia Pereira Osório. As duas estão presas, suspeitas de homicídio qualificado.

Imagens de uma câmera de segurança de um prédio da quadra 208 Norte mostram o militar esperando a mulher em um estacionamento, após sair da casa de um amigo. Cerqueira entra no carro, do lado do motorista, enquanto a mulher dele vai para o banco do carona.

Neste momento, a vítima é rendida pelos criminosos. O tenente coronel é colocado no banco de trás do veículo e Cristina é deixada na rua. A polícia disse que o comportamento da mulher, que demora a pedir socorro, chamou a atenção.

Revólver que, segundo a polícia, foi usado para executar coronel do Exército em Brasília (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

O crime
O corpo do tenente coronel foi encontrado pela Polícia Militar às 3h de sábado (16) com um tiro na nuca no Núcleo Rural Aguilhada, em São Sebastião, a 26 km de distância do local da abordagem. Um major do Exército acompanhou a equipe e reconheceu a vítima. A Polícia Civil apreendeu no domingo a arma usada no crime, um revólver calibre 38.

Em nota, o Exército informou que transportaria o corpo ainda no sábado para o Rio de Janeiro, onde ocorreu o sepultamento. A corporação disse que está prestando “todo o apoio à família do militar e cooperando com as investigações das polícias Civil e Militar do Distrito Federal”.

Entenda o caso
A hipótese inicial da polícia era de sequestro seguido de homicídio. O coronel e a mulher dele foram abordados na noite de sexta por quatro pessoas quando chegavam de carro a um prédio da 208 Norte. A mulher foi deixada no local, mas os criminosos mantiveram o coronel refém dentro do automóvel.

A equipe da PM achou o carro da vítima ao lado de uma casa, onde havia uma festa. Os policias esperaram a dupla deixar a comemoração para deter os suspeitos. Um adolescente de 17 anos e um adulto suspeitos de envolvimento no crime foram detidos pouco depois. Eles foram autuados por receptação.

Separação
De acordo com as investigações, o casal estava se separando. “Eles [Cristiana e Sérgio Murilo] estavam em processo de separação há 30 dias. O tenente-coronel estava na casa de um amigo, do Exército, e a mulher ficou no apartamento funcional com a filha”, diz o delegado Leandro Ritt, da Divisão de Repressão a Sequestros.

“A cunhada não confessou que planejou a execução, mas disse que a ideia era dar um tiro na perna, para que, machucado, ele tivesse de voltar para casa e reatar o casamento”, afirmou Ritt.

Pensão de R$ 300 mil
A Polícia Civil estima que o coronel tivesse aproximadamente R$ 300 mil a receber do Fundo de Apoio à Moradia. O benefício é destinado servidores do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O valor toma como base o tempo de contribuição, de cerca de 20 anos, e a patente dele, de oficial superior.

As investigações da corporação apontam que a mulher dele, a professora de artes Cristiana Cerqueira, pagou R$ 15 mil ao filho da ex-empregada da irmã para executar o marido e assim receber a quantia e pensão por viuvez, de R$ 10 mil. O casal estava em processo de separação. Ela nega a acusação.

Local onde o corpo do coronel do Exército foi encontrado (Foto: Danilo Martins/TV Globo)

Fonte: G1 DF

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here