GDF diz que pode não pagar salário de setembro a servidores

Informação foi dada aos sindicatos que representam a categoria nesta segunda (21). Buriti diz que tem quase R$ 2 bilhões para receber do governo federal

A relação entre o Palácio do Buriti e os servidores do GDF azedou de vez. Os sindicatos que representam o funcionalismo público local foram convocados para uma reunião nesta terça-feira (22/9). A expectativa era receber um cronograma com a previsão do pagamento dos reajustes previstos para 32 categorias. Mas, ao contrário, foram informados que não há dinheiro em caixa e que o governo pode não honrar os salários deste mês, que deverão ser pagos até o 5º dia útil de outubro.

Os servidores foram recebidos por categorias pelo secretário de Relações Institucionais e Sociais, Marcos Dantas. Ele explicou que o GDF depende de repasses do governo federal para conseguir fechar a folha de pessoal.  Após o encontro, a presidente do Sindicato dos Servidores em Estabelecimento de Saúde (SindSaúde-DF), Marli Rodrigues, disse o discurso foi o mesmo da semana passada, um dia antes de o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anunciar o pacote de austeridade e a suspensão dos reajustes.

O secretário disse que Rollemberg está negociando com o Governo Federal para conseguir os repasses para a saúde, caso contrário, podemos ficar até sem salário. Não tem saída, vamos parar.

Marli Rodrigues, do SindSaúde

A secretária de Planejamento, Leany Lemos, confirmou ao Metrópoles que a situação é realmente crítica. “Os aumentos dados em março, o pagamento do 13º, tudo isso influenciou no caixa deste último mês. Por isso, pode ser que os salários entrem atrasados”, explica. Segundo Leany, o governador está em fase de negociação com o Governo Federal para receber um passivo de R$ 1,2 bilhão referente ao Fundo Constitucional. Além disso, o Buriti espera um repasse de R$ 675 milhões, também da Esplanada dos Ministérios, a título de compensação previdenciária.

A conversa acabou reforçando a mobilização dos servidores, que na próxima quinta-feira (24) cruzam os braços por 24 horas. As categorias também ameaçam entrar em greve geral no dia 7 de outubro. O orçamento do GDF para este ano previa gasto de R$ 16,8 bilhões. Mas, efetivamente, chegará a R$ 19,3 bilhões. Por conta do comprometimento da receita com o pagamento da folha, o DF extrapolou os limites permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, caso não reduza as despesas até o mandato do governador Rollemberg pode ser cassado.

Longa espera
Representantes de cinco categorias de servidores do Distrito Federal esperaram mais de duas horas para serem atendidos no Palácio do Buriti. Eles foram até o centro do poder Executivo para ouvir uma explicação sobre os cortes nos reajustes de 32 categorias e para saber como o governo resolverá o problema. As categorias de médicos, professores, enfermeiros, servidores administrativos e técnicos da saúde tinham reunião marcada para 16h, mas só começaram a ser atendidos após as 18h.

Rafaela Lima/Metrópoles

Depois de muita confusão e espera na portaria, os representantes de alguns sindicatos conseguiram entrar. O presidente do Sindicato dos Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde e Agentes Comunitários de Saúde do Distrito Federal (Sindivacs-DF), Aldemir Domicio, criticou a forma que o governo conduziu as reuniões: “Atender os sindicatos separadamente é uma estratégia para desarticular as reivindicações, mas não vai dar certo.”

Waldeci Araújo, presidente do Sindicato de Técnicos e Auxiliares em Radiologia (Sintar-DF), reclamou da ineficiência dessas reuniões. “Saímos sem respostas da sala. O calendário de pagamentos, que era para ser discutido, não foi. O encontro não passou de enrolação”, criticou. Até as 21h, o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) ainda aguardava na porta. “Estamos aqui sem expectativa alguma, já sabemos o que vai acontecer”, afirmou Cleber Soares, um dos diretores.

Os sindicalistas decidiram marcar para esta terça-feira (22/9) uma reunião na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), às 16h, para analisar os resultados dos encontros no Buriti.

Fonte: metropoles.com

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