Ex-presidente de licitação no governo Agnelo nega irregularidades

Durante todo depoimento Galeno Furtado Monte admite e defende a participação do advogado Sacha Reck e nega irregularidades durante o processo de licitação no transporte público durante o governo passado.

A CPI do Transporte (Comissão Parlamentar de Inquérito do Transporte) da CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal), que investiga possíveis irregularidade no setor durante a gestão do ex-governador Agnelo Queiroz ouviu, na tarde desta quinta-feira (25), o ex-presidente da Comissão de Licitação do Transporte do Distrito Federal, Galeno Furtado Monte.

Depoimento                              

Durante o depoimento, Galeno confirmou que a palavra do advogado Sacha Reck, pivô das investigações, era fundamental para a execução da licitação, que, sem isso, elas (as licitações) não aconteciam e que ele apenas assinava os pareceres enviados a comissão. Disse ainda que, por isso, mesmo diante dos problemas encontrados na licitação, não pediu o cancelamento do certame.

Segundo Galeno Furtado, Sacha Reck trabalhava como consultor da licitação, mesmo que isso não tenha sido formalizado por meio de documentos. “Sem ele, sem o corpo jurídico que ele representava para a licitação, nós não teríamos conseguido realiza-la”, afirmou o ex-presidente da Comissão.

Durante todo o depoimento, Galeno reafirmou que a Comissão de Licitação não foi a responsável pela elaboração do edital, que chegou pronto a comissão e apenas foi seguida. “Elas foram elaboradas pela Logitrans (Logística Engenharia e Transporte)”, afirmou.

Laranja

Questionado pelo presidente da CPI, Bispo Renato Andrade (PR), se a atuação da Comissão de Licitação era de “laranja”, Galeno negou e defendeu a escolha das pessoas que atuaram no certame. “Não era uma comissão ‘laranja’. Nós nos aprofundamos, rejeitamos pareceres. Se a ferramenta nos dada era podre, nós não temos culpa. O trabalho que tínhamos que fazer foi feito”, enfatizou Galeno.

Galeno garantiu que nem Sacha Reck nem os membros da Comissão de Licitação eram responsáveis pelas eliminações das empresas que entraram na disputa pelas bacias do transporte do DF. Segundo Galeno, as eliminações que aconteceram foram feitas sob os termos da licitação.

Ainda segundo o Galeno, durante o processo licitatório, Sacha Reck não assinava as atas que faziam o histórico de reuniões, mas que, nas reuniões da Comissão de Licitação, a presença de Sacha constava nas atas.

Participação

Questionado pela presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), sobre a participação de empresas da família de Sacha Reck na elaboração das propostas econômicas, Galeno confirmou a presença da empresa do pai de Sacha, a Logitrans.

Quando questionado pelo deputado distrital Doutor Michel (PP) sobre a participação do pai de Sacha Reck, dono da Logitrans, empresa responsável pela elaboração do edital e do próprio Sacha, que trabalhava como consultor de uma das empresas que participavam do certame e por que, sabendo das irregularidades e percebendo que o edital beneficiava apenas os empresários, Galeno não pediu o cancelamento do certame, ele respondeu que não tinha porquê pedir o cancelamento e afirmou que não era responsável por questionar o edital, mas aplica-lo.

Galeno negou, ainda, contato direto com o governador Agnelo Queiroz e com o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e afirmou que recebia ordens do Buriti por meio de subsecretários.

Gravíssimas

Numa avaliação do depoimento do ex-presidente da Comissão de Licitação do Transporte do Distrito Federal, Galeno Furtado Monte, a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão, classificou as revelações de Galeno como gravíssimas. “Ele confirmou ser apenas um laranja dentro da licitação, pois tudo foi feito pelo Sacha Reck. Não era ele quem manipulava a licitação, essa manipulação era feita pelo Sacha”, afirmou a presidente.

Inexperiência

Galeno declarou ainda que, antes de sua escolha para o certame do transporte, ele nunca tinha participado de nenhum tipo de licitação. “Nunca estive em uma licitação na minha vida. Nunca estive nem em abertura de envelope”, disse Galeno, que garantiu que os outros membros também não tinham experiência em licitações. “Eu estava lá, mas não sabia de nada”, completou o ex-presidente, que afirmou ter sido indicado pelo ex-subsecretário Luiz Mecina.

Durante todo depoimento galeno negou irregularidades Foto: Divulgação

O relator da CPI do Transporte, Raimundo Ribeiro (PSDB), se disse espantado com a notícia da falta de experiência de Galeno na licitação mais importante do governo de Agnelo Queiroz (PT). “Me causa estranheza o senhor tendo sido escolhido para a comissão, que seria a joia da princesa do governo passado, nunca ter tido qualquer experiência, que era a mudança do sistema de transporte do DF”, espantou-se Ribeiro.

Ameaças de morte

Galeno disse ainda já ter sido ameaçado ao menos três vezes, mas não sabe quem teria sido. Uma das vezes, ele foi seguido dentro de um shopping em Alexânia (GO), depois do fim da licitação. Segundo ele, a pessoa que o seguia era da Secretaria de Segurança Pública e estava acompanhado por uma mulher. “Eu não tenho medo de morrer por saber muito, pois, por muito menos o Celso Daniel morreu”, lembrou Galeno, se referindo ao assassinado do ex-prefeito de Santo André, assassinado em 2002.

Segundo ele, o fato ocorreu após ele ser chamado a Brasília para assinar um documento, que não foi entregue a ele na Secretaria de Transporte, mas no Sudoeste. Galeno suspeita que o chamado se tratava de uma “tocaia” para cala-lo.

Fuga

Galeno negou para Celina Leão que teria tentado fugir, como sugerido pela presidente na última semana. Disse que teria tido problemas na conexão de volta, ainda nos Estados Unidos, e por isso não teria conseguido voltar a tempo. Galeno, após resistir por alguns instantes, autorizou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico por parte da CPI do Transporte.

Procuradores

A CPI também ouviu os procuradores Rodrigo Alves Chaves, Edvaldo Costa Barreto Júnior e Marcos Vinícius Witczak que negaram ter encontrado irregularidades na licitação, especialmente na formação de grupos econômicos, e na participação do advogado Sacha Reck, pivô das denúncias.

Para os procuradores, a formação de grupos econômicos, de acordo com o edital, se daria se um dos sócios das empresas participantes estivesse ligados a mais de uma empresa. Caso da Piracicabana e da Pioneira, empresas da mesma família.

Os procuradores defenderam ainda que a participação externa de Sacha Reck era legal e que, após o início da licitação, o advogado estaria ligado a uma das empresas que prestavam consultoria ao governo. Segundo os procuradores, a contratação de Sacha Reck na fase interna não foi objeto de análise pela Procuradoria-Geral do DF.

Fonte: Fato Online

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