Deputados criam frente para ajudar nas negociações do setor privado com o Buriti

20150623005214A nova frente chega no momento em que os empresários temem um calote do governo, com o fim do prazo de validade das dívidas estipulado por um decreto.

Se o diálogo não anda tão fácil com o governo, os empresários tentarão agora a ajuda dos deputados distritais para terem suas reivindicações atendidas. Foi criada a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Produtivo, com a promessa de voz mais ativa junto ao Executivo.

A nova frente chega no momento em que os empresários temem um calote do governo, com o fim do prazo de validade das dívidas estipulado por um decreto. Se não for baixada nova norma, o fornecedor que não receber as dívidas do ano passado até o dia 30 de junho corre risco de ter as notas de empenho canceladas. Para evitar que isso aconteça, deputados entraram em obstrução e não votarão projetos até que o decreto seja revogado.

Os distritais anunciaram a frente parlamentar ao lado de presidentes de entidades representativas. As críticas não foram poupadas.

“Acho um desrespeito a ausência de secretários do GDF aqui. E se o governo enviar qualquer projeto que prejudique o setor produtivo, podem ter certeza de que a Câmara vai rejeitar”, disse Wellington Luiz (PMDB).

Tapete vermelho

O deputado Doutor Michel (PP) engrossou o coro e pediu mais ação da equipe de governo. “Senhores secretários, saiam do tapete vermelho. O governo está brincando com o Distrito Federal. A cidade está fadada a falir”, esbravejou.

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF), Luiz Carlos Botelho, falou sobre  a falta de licenças concedidas pelo governo. “Existem pelo menos 200 pequenas e médias obras que poderiam ser retomadas, gerando emprego e renda”, revelou.

O líder da Frente Parlamentar, deputado Bispo Renato, explica que o objetivo não é  ajudar apenas na negociação das dívidas, mas  em tudo que envolve a atividade empresarial. “Precisamos ouvir as demandas e traduzir em medidas. A maior parte dos empreendimentos é  feita por empresas do Distrito Federal. Não conseguimos atrair as de fora e as que estão aqui buscam estados mais atrativos”, avaliou.

Mas ainda assim, também está nos planos melhorar a relação entre empresários e governo. Para isso, está marcada no dia 2 de julho uma reunião, a que o governador Rodrigo Rollemberg e os representantes do setor produtivo estão convidados.

Mais eficiência é principal das cobranças, hoje

A voz ativa prometida ao empresariado tem motivo, segundo os próprios representantes. Deve haver uma maior eficiência nas atribuições do Executivo. É o que cobra o presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, Cléber Pires. “Na subida do Colorado, por exemplo, há oito concessionárias funcionando sem alvará. Como é possível manter isso assim?”, questionou.

Só duas funcionam

Para o presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, a Câmara Legislativa deve se destacar fazendo o que tem de melhor, dialogando. “Existem mais de 100 frentes parlamentares no Congresso, mas efetivamente só funcionam a do agronegócio, dos evangélicos e da saúde. O que os distritais precisam é se posicionar, porque o Legislativo é pródigo em ouvir a sociedade e pode muito bem fazer esse papel de intermediador”, sugeriu.

 Fonte: Jornal de Brasília

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