Chioro diz ter cobrado do DF em abril plano contra superbactérias

secretaria_de_saudeO ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou nesta terça-feira (9) ter cobrado ainda no mês de abril que o Distrito Federal apresentasse um plano de contingência para diminuir as contaminações por superbactérias. Até agora já foram identificados casos em três hospitais regionais e em uma UPA. Quatro pessoas morreram. A Secretaria de Saúde disse que não vai se posicionar a respeito até lançar o documento.

Representantes da pasta e técnicos da Anvisa se reuniram pela segunda vez na sexta para avaliar as ocorrências. A orientação é que o DF desenvolva um plano semelhante ao implantado nos estados do Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, que viveram situação semelhante. Ainda não há previsão para o lançamento do documento, que deveria ter ocorrido na segunda.

O plano terá duas linhas de ação. A primeira será focada no uso racional de antibióticos e na garantia de estoque para os medicamentos, e a segunda, na atenção aos protocolos de higiene e atenção aos pacientes.

Tabela apresentada pela secretaria informa a existência de, pelo menos, 84 infecções por superbactérias na rede pública de saúde do DF em 2015. Ao divulgar a informação, a pasta reconheceu que os números são “parciais” e não representam a realidade dos hospitais.

O documento informa 33 contaminações por Klebsiella pneumoniae multirresistente (KPC), 14 por Acinetobacter baumanii, 17 por Pseudomonas aeruginosa, 11 por Serratia sp e 3 por Staphyllococus aureus, além de seis infecções por bactérias multirresistentes de outras categorias, menos “famosas”.

Os números se referem apenas aos leitos adultos de UTI e não levam em conta os casos registrados em hospitais de Taguatinga, Santa Maria e Guará e na UPA de Sobradinho desde a última semana. Os pacientes colonizados – que não têm a bactéria na corrente sanguínea e, por isso, não sofrem com os sintomas de infecção – também não foram considerados neste levantamento.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante entrevista nesta quinta-feira (14) em Brasília (Foto: Luciana Amaral/G1)

Até esta sexta, 22 pacientes estavam isolados em quatro hospitais, sendo que oito deles apresentavam sintomas da infecção.

Hospitais em alerta
Desde o último dia 28, vieram à tona infecções por bactérias multirresistentes – conhecidas popularmente como “superbactérias” – em pelo menos quatro unidades de saúde do DF. Nesta quarta, a Secretaria de Saúde informou que 16 pacientes estavam isolados no Hospital Regional de Santa Maria com a bactéria multirresistente Acinetobacter baumannii.

Eles estão em leitos de UTI e de clínica médica e, segundo o hospital, alguns foram isolados ainda em janeiro. Em dois deles, a bactéria já causou infecção. Os outros 14 estão apenas “colonizados”, ou seja, não têm sintomas relacionados à presença do micro-organismo.

O Acinetobacter baumannii superresistente também foi encontrada em pacientes no Hospital Regional do Guará no último fim de semana. Até esta quinta, dois pacientes seguiam isolados por causa da infecção. Segundo a pasta, eles reagiam bem ao tratamento e tinham previsão de alta “em breve”.

Em Taguatinga, as alas vermelha e amarela do pronto-socorro foram interditadas entre os dias 28 de maio e 2 de junho, após a identificação de um foco de enterococo multirresistente na área. No total, 25 pacientes foram isolados com quadros de contaminação ou colonização pela bactéria.

Em três dias, 4 dos 25 pacientes morreram na unidade, mas a secretaria afirma que não é possível estabelecer relação entre as mortes e as bactérias. Nesta quinta, quatro pacientes seguiam internados em isolamento.

Arte superbatéria KPC (Foto: Editoria de Arte/G1)

Resistência
“Superbactéria” é um termo que vale não só para um organismo, mas para bactérias que desenvolvem resistência a grande parte dos antibióticos. Enzimas passam a ser produzidas pelas bactérias devido a mutações genéticas ao longo do tempo, que tornam grupos de bactérias comuns como a Klebsiella e a Escherichia, resistentes a muitos medicamentos.

Outro mecanismo para desenvolvimento de superbactérias é a transmissão por plasmídeos – fragmentos do DNA que podem ser passados de bactéria a bactéria, mesmo entre espécies diferentes. Uma Klebsiella pode passar a uma Pseudomonas, e esta pode passar a uma terceira. Se o gene estiver incorporado no plasmídeo, ele pode passar de uma bactéria a outra sem a necessidade de reprodução.

No território nacional circulam outras bactérias multirresistentes, como a SPM-1 (São Paulo metalo-beta-lactamase). Entre os remédios ineficazes estão as carbapenemas, uma das principais opções no combate aos organismos unicelulares. Remédios como as polimixinas e tigeciclinas ainda são eficientes contra esses organismos, mas são usados somente em casos de emergência, como infecções hospitalares.

KPC
Em outubro do ano passado, a Secretaria de Saúde isolou a UTI neonatal do Hospital Materno Infantil depois que exames feitos em três bebês apontaram a presença da superbactéria KPC. De acordo com a pasta, o diagnóstico não significava que eles desenvolveriam infecção, mas a medida havia sido adotada para evitar uma eventual propagação do micro-organismo.

Em 2010, casos notificados de pessoas infectadas pela KPC levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a instituir normas de combate à bactéria. Entre as medidas anunciadas estava a instalação de dispensadores de álcool em gel em todos os ambientes de atendimento nos hospitais e clínicas públicas e particulares.

Em 2009, de 1º de janeiro até o dia 15 de outubro, 18 pacientes morreram por conta da KPC no DF. No mesmo período, foram registradas 183 pessoas portadoras da bactéria, das quais 46 tiveram infecção. A Secretaria de Saúde não informou o número total de casos desde então.

A KPC já foi identificada em Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina. Ela faz parte da flora intestinal das pessoas e pode ser transmitida por meio do contato. As complicações costumam ocorrer somente em casos de pacientes com baixa imunidade, como os que estão com câncer em estágio avançado ou passaram por transplantes.

Fonte: G1 DF

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