REFORMA MINISTERIAL| Para atender “centrão”, Bolsonaro troca seis ministros

Mudanças envolvem Justiça, que vai para o delegado da PF Anderson Gustavo Torres, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, e Secretaria de Governo, que ficou com deputada Flávia Arruda (PL-DF). Expectativa é que Planalto troque Meio Ambiente ainda nesta semana

O presidente Jair Bolsonaro fez uma reforma ministerial que mexe com quase um quarto de seus 22 ministérios, incluindo a estratégica pasta da Defesa em um Governo que deseja exibir simbiose com as Forças Armadas. Sob pressão com a crise do coronavírus, que transformou o Brasil num epicentro mundial de mortes e ameaça comprometer a recuperação econômica, o Planalto trocou seis ministros para evitar a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito e barrar qualquer tentativa de abertura de processo de impeachment. Com a dança das cadeiras, Bolsonaro busca atender as demandas de sua base parlamentar, cujo eixo é o volátil grupo do Centrão, e os clamores do empresariado e de agentes econômicos que apoiam seu Governo. As mudanças ocorreram nas pastas de Relações Exteriores, Defesa, Casa Civil, Secretaria de Governo, Justiça e Advocacia Geral da União. Outros dois cargos ainda devem ser trocados nesta semana: Meio Ambiente, um calcanhar de Aquiles para a imagem do Governo no exterior, e Secretaria-Geral da Presidência, conforme interlocutores do Governo informaram à reportagem.

Houve ainda mudança em funções de segundo escalão, como a Secretaria da Educação Básica, do Ministério da Educação. E está prevista também uma troca em toda a diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, esses são dois dos setores que compõem a maior parte dos recursos do MEC, uma das pastas de maiores verba da Esplanada dos Ministérios. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preservado, desde que cedesse os cargos ao Centrão. Outras alterações estão previstas para ocorrerem em órgãos vinculados ao Ministério da Economia, como a Dataprev e o Serpro. O mesmo grupo também está de olho em indicações em cargos de segundo e terceiro escalões do Ministério da Saúde, recém-assumido por Marcelo Queiroga em substituição ao general Eduardo Pazuello.

Deixaram de vez o Governo os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e José Levi Melo Amaral (AGU). Eles serão substituídos, respectivamente, pelo diplomata Carlos Alberto França, considerado pouco expressivo, o general Walter Braga Netto e o advogado André Mendonça. Os dois últimos já estavam na Gestão, nos ministérios da Casa Civil e da Justiça. Para o lugar de Braga Netto, houve um novo remanejamento: ocupará a função o general Luiz Eduardo Ramos, que deixa a Secretaria de Governo que acomodará a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF). A Justiça agora está a cargo do delegado da Polícia Federal Anderson Torres, que era até esta segunda-feira Secretário da Segurança Pública do Distrito Federal na Gestão Ibaneis Rocha (MDB). Torres é uma indicação pessoal do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), de quem é amigo, e tem o apoio de parte da bancada do MDB e do Centrão.

A queda de Ernesto Araújo já era dada como favas contadas, depois dos seguidos atritos que ele teve com o Senado Federal e com representações diplomáticas de outros países, principalmente com a da China. Os chineses são os principais parceiros comerciais do Brasil. A escolha do sucessor de Araújo surpreendeu boa parte dos analistas. Em princípio, o favorito era Luís Fernando Serra, atual embaixador em Paris que é visto como um radical, assim como o ministro demissionário. Porém, Bolsonaro escolheu seu antigo chefe do cerimonial e atual chefe da assessoria especial da Presidência, Carlos Alberto França, um discreto diplomata que nunca chefiou postos no exterior. A principal diferença entre o entrante e Araújo é que o novo ministro não é adepto da doutrina de Olavo de Carvalho, o escritor da ultradireita tido como o ideólogo do bolsonarismo. A ala ideológica do Governo está cada vez mais enfraquecida.

Fonte: Brasil.elpais

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