Investimento estrangeiro em obras de infraestrutura sobe cinco vezes em 2015

investimento-estrangeiro-em-obras-de-infraestrutura-sobe-cinco-vezes-em-2015Enquanto o ingresso de investimento estrangeiro direto – recurso vindo do exterior para o Brasil que é direcionado para o setor produtivo – caiu significativamente de janeiro a julho deste ano, os aportes de estrangeiros em obras de infraestrutura no país cresceram fortemente. Segundo dados do Banco Central, o investimento em infraestrutura saltou quase cinco vezes entre janeiro e julho na comparação com igual período do ano passado, atingindo US$ 457 milhões. O movimento de alta começou a ser percebido nos últimos meses do ano passado.

Segundo o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, uma das explicações para esse crescimento da presença estrangeira nesse mercado é a operação Lava-Jato, que tem investigado uma série de grandes empreiteiras nacionais. Com isso, explica, abre-se espaço no mercado para empresas médias e também para estrangeiros.

Martins diz que identificou neste ano um movimento mais forte de busca de informações por estrangeiros interessados em entrar no mercado brasileiro de infraestrutura. Por isso, a CBIC trabalha para ajudar essas empresas a entenderem as especificidades brasileiras e também tenta aproximar os estrangeiros dos nacionais, estimulando parcerias.

O executivo pondera que, com a desvalorização do real ante o dólar, os ativos brasileiros ficaram baratos para os estrangeiros, o que pode ter sido um estímulo. Por outro lado, ele lembra que o momento é de muita indefinição na economia brasileira, o que é um fator que atrapalha.

Brasil mais barato

Para Helcio Takeda, sócio da Pezco Microanalysis, consultoria especializada em infraestrutura e em setores regulados, certamente o dólar é um fator que barateia e torna mais atrativo o Brasil para os investimentos estrangeiros. Mas ele pondera que os números do BC se referem a um período em que, mesmo a economia não estando bem, o Brasil ainda não tinha perdido o grau de investimento pela agência Standard&Poor’s, a situação política estava menos deteriorada do que agora e havia percepção relativamente positiva com o lançamento do PIL (Programa de Investimento Logístico).

“O pano de fundo agora é diferente”, afirmou. “A perda do grau de investimento muda a configuração do custo de capital das concessões. Uma dúvida que surge é se o governo vai mexer na taxa de retorno dos projetos anunciados no PIL em junho”, comenta o economista. Para ele, o segundo semestre será um bom balizador sobre se a maior presença de estrangeiro é uma tendência que terá continuidade ou se mudou após os últimos acontecimentos negativos na economia.

Takeda acredita que os recursos que entraram no país para obras de infraestrutura devem ter sido mais concentrados em operações nas quais os estrangeiros entraram comprando participações em empresas brasileiras. Segundo ele, provavelmente parte das empresas nacionais tiveram problemas de caixa decorrentes dos problemas do mercado gerados pela Operação Lava-Jato, como paralisação de obras, além da própria queda na atividade econômica.

Outra hipótese levantada pelo economista e consultor é que empresas nacionais buscaram parcerias com estrangeiras, formando caixa e se preparando para participar de novos projetos de infraestrutura.

Para Martins, da CBIC, o aumento na presença de estrangeiros no Brasil é bem-vinda, mas é preciso cuidar para que eles estejam submetidos às mesmas regras que as empresas nacionais, para não haver desvantagem competitiva. “A nossa preocupação é que não haja privilégio para eles, que haja igualdade de condições”, afirmou, destacando especialmente as regras trabalhistas, uma vez que já ocorreram situações de empresas estrangeiras tentarem trazer mão de obra mais barata de seus países e sem seguir a legislação trabalhista brasileira.

Martins também defende que o governo cuide de obter garantias dessas empresas, minimizando os riscos de elas entrarem no país e, sem concluir suas obras, simplesmente saírem do Brasil e não serem mais localizadas.

Fonte: fatoonline.com.br

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