Custo de escola particular sobe 35% a mais que inflação no governo Dilma

custo-de-escola-particular-sobe-35-a-mais-que-inflacao-no-governo-dilmaInflação é ainda maior para as famílias que têm filhos em educação infantil, ensino fundamental e médio: o peso quase dobra. Associação ligada a escolas particulares explica que preços de aluguel, alimentos e serviços impactam nos custos.

Por mais que o governo tenha justificativas, a estudante Rokssane Freire (19) não se conformou ao pagar R$ 63 para se inscrever no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). E a revolta tem um motivo: o valor da inscrição era R$ 35, uma alta de 80% neste ano. “Parece que literalmente os vestibulandos estão pagando o preço, devido ao fato de o governo estar fazendo uma série de cortes na educação”, disse, indignada, ao Fato Online. 

Para o governo, a taxa ainda é barata e atinge um percentual pequeno dos alunos que fazem a prova. Segundo o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, apenas 26,5% dos 8,7 milhões inscritos em 2014, pagaram esse valor. O resto é isento. “É uma correção depois de vários anos [de taxa] represada”, justificou o ministro ao anunciar o reajuste há duas semanas.

O novo valor da taxa do Enem ilustra bem a situação da área de educação, que registra inflação acima da média oficial. Quem tem filhos em idade escolar sentiu no bolso o descasamento dos reajustes cobrados pelas escolas, cursos regulares, de idiomas e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é usado como referência nas negociações salariais. Enquanto a inflação geral, entre janeiro de 2011 e abril de 2015, foi de 29,22%, a inflação das escolas privadas no período – que abrange toda a gestão da presidente Dilma Rousseff – foi de 39,44%.

E, quanto menor o filho, maior o peso dos gastos com educação no orçamento familiar. Considerando apenas a educação infantil, a alta foi, nesse mesmo período, de 51,6%. Nas creches, os reajustes acumulados somam 43,08%. Já a inflação do ensino fundamental foi de 49,37%, a do ensino médio, 48,89% e a do ensino superior, 36,77%.

Com isso, a alta de 80% no valor da inscrição do Enem é apenas mais uma etapa da inflação que sobe em toda a cadeia da educação. “Lá em casa, a gente percebeu logo [a alta dos preços das mensalidades]. Meus pais reclamavam do reajuste da mensalidade, mas a escola justificava e ficava por isso mesmo”, disse Letícia Matos Farias (19), que sempre estudou em escola particular e se inscreveu no Enem para poder participar do “Ciência sem Fronteiras”. O programa lançado pela presidente Dilma garante bolsa de estudos no exterior para formação de mão de obra qualificada.

Para o economista Luciano D’Agostini, do Cofecon (Conselho Federal dos Economistas), o setor de educação tem comportamento semelhante ao de restaurantes. Ambos acompanham a alta no preço do aluguel, além da inflação de alimentos e serviços. Soma-se a isso o desejo de manter a rentabilidade no negócio, o que significa mais custo para os pais.

Num exemplo hipotético, uma escola cobrou R$ 100 de mensalidade em 2014 e R$ 25 reais desse total foram a margem de lucro. Se, em 2015, ela quiser manter a mesma rentabilidade, com um aumento de custos de R$ 75 para R$ 95 por aluno, em um mês, a conta será repassada para as famílias, e a nova mensalidade será de R$ 120. “Mantendo a margem de lucro, se houver aumento do custo, haverá repasse no preço final”, explicou D’Agostini.

Defesa

O setor se defende e argumenta que o motivo para esse comportamento está na alta do dos custos de funcionamento das escolas, segundo Amábile Pacios, presidente da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares).

Ela explica que, além do aluguel, gastos com luz e água, entram nessa planilha os salário dos professores, auxiliares e demais profissionais ligados à atividade. E se a escola oferece alimentação, isso gera mais um custo para os pais.

“Há também o custo da proposta pedagógica de cada escola”, afirmou a professora. As escolas também cobram por adicionais oferecidos como aulas de língua, balé, natação, judô. Tudo tem um valor separado.

De acordo com Amábile Pacios, após a definição de todos os custos, incluindo o lucro, o valor é dividido pelo número de alunos na instituição de ensino no mês de outubro, quando, normalmente, os pais, na maioria das escolas, são informados sobre o valor das mensalidades a partir do próximo ano.

A professora Amábile Pacios explicou ainda que um dos motivos para o maior peso da inflação na educação infantil está no grande número de orientadores, professores e auxiliares exigidos para atender as crianças. E, a partir daí, há sempre uma justificativa na ponta da língua para o aumento acima da inflação. No ensino fundamental e médio, entra a obrigatoriedade de pagar mais por uma mão de obra mais especializada.

“Não existe Caixa 2 na escola particular”, afirmou a presidente da Fenep, ao falar sobre o peso da carga tributária: 40% do custo de uma escola. “Nós representamos quase 2% do PIB e somo um setor que gera emprego, renda e impostos”, continuou a professora Amábile Pacios.

Ou seja, o aumento da mensalidade aumenta a arrecadação do governo, sem que seja necessário mexer na alíquota. De acordo com Luciano D´Agostini, essa situação é chamada pelos economistas de imposto inflacionário.

Por exemplo, incidem 15% de impostos em uma mensalidade escolar de R$ 100. Ou seja, desse valor, R$ 15 são referentes a imposto que será recolhido. Ao reajustar o preço para R$ 120, ainda que a alíquota seja de 15%, o governo arrecadará R$ 18. “Tecnicamente, o governo arrecada mais pela nota fiscal de consumo”, explicou o economista.

Fonte: Fato Online

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