Bolsonaro diz que Guedes se chateia, mas só sairá no fim

Presidente diz que ministro fica “de vez em quando irritado” quando medidas que dependem do parlamento não vão para frente

Bolsonaro e Guedes participam de cerimônia no Palácio do Planalto 07/10/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não demonstrou a ele se em algum momento esteve prestes a sair do governo, mas disse que o ministro fica “de vez em quando irritado” quando medidas que dependem do Parlamento não vão para frente. Segundo Bolsonaro, Guedes só desembarca do cargo quando o mandato presidencial acabar.

“Não demonstrou para mim não (se alguma vez esteve prestes a sair do governo). Lógico que de vez em quando a gente vê que ele fica irritado porque certas medidas dependem de votações, eu sei como funciona o Parlamento e ele está aprendendo ainda. Então ele quer resolver e fica chateado”, disse Bolsonaro em entrevista ao canal de vídeos do filho 03 e deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

“Então ele quer resolver e fica chateado, agora no tocante a sair, ele falou que vai sair comigo quando acabar meu mandato”, afirmou.

Em vários momentos Guedes já demonstrou frustração com o andamento das medidas econômicas no Congresso, como as pautas de reformas e privatizações. Diante da situação, em coletiva à imprensa na sexta-feira (18), o ministro disse que não prometeria “mais nada”. “Acabou. Não prometo mais nada. [Agora, só digo] ‘Espero que o Congresso aprove. Felicito o Senado pela aprovação’. Aprendi”, disse nesta sexta-feira, 18, em coletiva de imprensa para um balanço das ações do ministério este ano. “Falei ’em 15 semanas vamos mudar o Brasil’. Não mudou nada, teve a pandemia. Agora a mesma coisa. ‘Vamos anunciar em 90 dias as privatizações’, aí descubro que tem um acordo político para inviabilizar e não pautar. Aí a conta vem de novo, ‘ele não entrega'”, afirmou.

Em meio a um conflito entre o presidente Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre o pagamento do 13° do Bolsa Família, o ministro decidiu interromper as férias programadas para este fim de ano. Edição extra do Diário Oficial da União publicada na sexta-feira, formalizou a mudança. As férias do ministro começariam neste sábado, 19, e iriam até 8 de janeiro.

A previsão de férias de Guedes foi publicada em 11 de dezembro e a agenda oficial sem compromisso, “em período de férias”, também já havia sido divulgada pela assessoria. Durante sua live feita na quinta-feira, Bolsonaro acusou Maia de deixar a medida provisória sobre o assunto caducar e, assim, impedir o pagamento do abono natalino em 2020. Em reação quase imediata, Maia chamou Bolsonaro de “mentiroso”. A fala foi repetida na sexta na tribuna da Câmara.

Também em resposta, Maia anunciou que pautaria a medida provisória sobre a prorrogação do auxílio emergencial, acrescida de nova previsão sobre o 13° do Bolsa Família. Antes mesmo da votação ontem, Guedes admitiu que não há recursos para o pagamento extra neste ano.

“Sou obrigado, contra minha vontade, a recomendar que não pode ser dado o 13.º do Bolsa Família”, disse Guedes em entrevista coletiva virtual para apresentar um balanço de fim de ano. “É lamentável, mas precisa escolher entre um crime de responsabilidade (13.º) e a lei.”

Fonte: Terra

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