Tradição dos presépios se renova em vários pontos do DF

20171221080630767689oA quatro dias para o Natal, as luzes da cidade anunciam a chegada do menino Jesus. Para celebrar o período natalino, ruas, casas, prédios e igrejas se enfeitam para a data de nascimento de Cristo. A tradição se repete há séculos e é representada, principalmente, com a montagem dos presépios. A recriação da manjedoura, dos animais e reis reforçam a memória do Natal para os cristãos. Durante a noite, iluminados, muitos deles viram atração para famílias e crianças que guardam a lembrança das decorações em fotos.

Em diversos tamanhos e cores, a montagem dos presépios varia conforme a disposição dos organizadores e o espaço destinado à representação. Mas, independentemente da proporção das imagens, o propósito do ritual é recriar a palavra bíblica do nascimento de Cristo e resgatar o espírito de fé das pessoas.

Na Paróquia São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, na 303/304 Norte, as imagens grandes e chamativas no jardim em frente à igreja chamam atenção de quem passa pelo local. A representação é iluminada à noite. Segundo o vigário paroquial, capelão Julio César Silva Mônaco, o momento é de rememorar o mistério da encarnação do filho de Deus. “O presépio foi criado por São Francisco de Assis como um tipo de evangelização para mostrar aos fiéis o verdadeiro sentido do nascimento de Jesus. Como Cristo fazia por meio de parábolas para anunciar a vontade de Deus, São Francisco utilizou das imagens para mostrar a todos a passagem bíblica de Jesus”, explicou.

O  padre incentiva fiéis que param e tiram fotos da decoração a evangelizar crianças a partir dos presépios. “Nós, cristãos, queremos sempre colocar que o centro do Natal é Jesus Cristo e celebramos o nascimento do salvador”, ressaltou.

No calendário religioso, a cena é recriada nas quatro semanas que antecedem o Natal, conhecido como o período do Advento, que significa a preparação para a chegada daquele conhecido como o Salvador do Mundo. O cenário se mantém até o dia 6 de janeiro, data, segundo a tradição cristã, em que os Três Reis Magos visitaram o Menino Jesus. Mas, em alguns locais, a representação dura até 8 de janeiro, período reconhecido como o batizado de Cristo (Leia Quadro).

Essência

Todo ano a residência de Antônio Eustáquio da Silva, 60 anos, se transforma na Casa do Papai Noel. O aposentado faz o ritual há 16. O endereço, na M Norte, virou até ponto de visitação. Junto da família, de vizinhos e de amigos ele monta três presépios: um do lado externo, com estrutura de ferro e todo iluminado; o segundo na entrada da casa, também com luzes e uma fonte d’água e o terceiro artesanal, com peças coloridas. Além das representações, ele tem outros dois banner’s com a encenação do nascimento de Jesus Cristo. “O presépio simboliza a verdadeira essência do Natal. Prezo muito por ele”, destacou Antônio.

Antônio começa a organizar a decoração no fim de agosto. Ele monta tudo: desde a fachada da residência até o quarto do Papai Noel. A casa é aberta para visitação todos os dias, das 20h às 23h, exceto dia 24 e 31 de dezembro. Amanhã ele faz uma festa para 70 crianças carentes. “Para mim é a data mais importante do ano”, contou.

Dedicação

 

Ao contrário de quem já monta a encenação há tanto tempo, a secretária Maria das Graças de Lima Tibúrcio, 52 anos, só conseguiu decorar a casa com o presépio pela primeira vez este ano. Com dedicação, ela e a família criaram uma parte do cenário. Colocaram as imagens de gesso em uma base de papelão, cobriram com papel pardo, pintaram e decoraram. Tudo de forma artesanal e com materiais recicláveis.

Com tamanho menor se comparado às representações grandiosas, o presépio na casa da família Lima trouxe o verdadeiro sentido do Natal para eles, que seguem a religião Católica. “A vontade que eu tinha de montar o presépio era antiga, mas nunca consegui financeiramente. Este ano coloquei como propósito. Se eu não montasse, nem árvore de Natal iríamos ter. Terminei tudo às 2h. Meu desejo foi realizado”, contou Maria das Graças.

Para ela, o Natal representa uma renovação. Cristãos, Maria das Graças, o marido e os filhos de 26 e 29 anos veem a data como o nascimento de Jesus Cristo. “É o sentido de tudo. Assim como o nascimento de Cristo, o grande propósito é que o menino Jesus também possa nascer nos corações das pessoas que ainda não sentiram a presença dele”, destacou.

Franciscanos

A Igreja Católica atribui o primeiro presépio à figura de São Francisco de Assis, em 1233, quando o santo resolveu reviver em uma gruta a história de Cristo. Com a ajuda de um rico senhor da região, conseguiu a manjedoura, o feno e os animais. Na noite de Natal, os sinos chamaram a população. Na gruta, entre os animais, uma missa foi celebrada. Desde então, os frades franciscanos imitam o seu fundador nas igrejas e nos conventos abertos por toda a Europa e se transformam nos verdadeiros pioneiros do presépio, antes dos dominicanos e dos jesuítas. Desde 1986, São Francisco de Assis é considerado o patrono universal do presépio.


Para saber mais
No Brasil

 

Os primeiros presépios foram introduzidos no Brasil pelos sacerdotes portugueses que desembarcaram na nova colônia. Em 1532, o padre José de Anchieta, ajudado pelos índios, modelou em barro pequenas figuras representando o nascimento de Jesus, com o propósito de incutir nos indígenas a tradição cristã.

Mas esses objetos só foram efetivamente difundidos por aqui nos séculos 17 e 18 pelos jesuítas. Inicialmente, os exemplares que chegavam se inspiravam nos modelos importados de Portugal e da Espanha. Mais tarde, a representação natalina passou a ter fisionomia própria e cara brasileira. Principalmente após o movimento barroco. Desde então, os presépios nacionais passaram a ser esculpidos com influências indígenas, negras e caboclas. A fauna e a flora brasileiras também foram incorporadas à cena da chegada de Cristo.

Fonte: CB

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