Falta de médicos na saúde pública afeta atendimento na pediatria

20150504230445636308eQuando uma criança fica doente, pais e mães de Santa Maria não se dão mais o trabalho de procurar o hospital regional da cidade. No pronto-socorro da unidade, uma placa colorida sinaliza onde ficam as salas reservadas para a pediatria. Elas estão novas, bem cuidadas e contam com os equipamentos necessários. Na frente das portas, não há nenhuma fila. O problema, no entanto, é outro. Desde novembro de 2013, o atendimento aos pequenos está suspenso por falta de profissionais, sem previsão de reabertura. Para conseguir cuidar dos filhos, moradores da cidade precisam enfrentar verdadeiras peregrinações, como mostra a terceira reportagem da série que mostra o sucateamento da saúde no DF. “Há alguns dias, minha neta ficou doente. Como aqui não tinha jeito, os pais a levaram ao Gama e à Unidade de Pronto Atendimento de Valparaíso, onde finalmente acharam um médico”, conta a diarista Maria Neusa Nobre, 48 anos, residente de Santa Maria.

Entre as áreas da saúde afetadas pela atual crise econômica do Distrito Federal, a pediatria é a que se encontra em estado mais crítico. Atualmente, a rede pública conta apenas com 560 pediatras, dos quais cerca de 460 estão efetivamente trabalhando. O restante está com restrições, como licença-maternidade, licença-prêmio ou atestado médico. Ao todo, o deficit é de 200 profissionais. Para agravar a situação, durante o mês de abril, a escala da pediatria nos hospitais regionais e UPAs precisou ser alterada para atender o aumento da demanda provocada por um surto de bronquiolite, o que causou novos gargalos em diversas cidades.

A situação no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) é uma das mais graves, mas várias unidades caminham para o mesmo cenário. A pediatria do Hospital Regional do Gama (HRG) não fez nenhum atendimento na semana passada, por falta de médicos. O pronto-socorro ficou vazio. “Não é a primeira vez que isso acontece”, comentou uma funcionária, que preferiu não se identificar. Um dos fatores que agravam ainda mais o problema é que, quando uma unidade de saúde deixa de atender, as outras ficam ainda mais sobrecarregadas, obrigando os pacientes a irem a diversas regiões administrativas até conseguirem uma consulta.

Quando o Correio visitou o Hospital Regional do Guará (HRG), dezenas de pessoas esperavam há horas por atendimento, com crianças no colo, situação comum em outras salas de emergência pelo DF. A comerciante Natallya Bárbara Gontijo, 26, e o comerciante Wladimilson Amorim de Sousa, 28, moradores do Areal, foram ao local à procura de atendimento para a filha Fernanda, de 10 meses, que estava passando mal. “Fomos ao Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), à UPA e ao Centro de Saúde do Núcleo Bandeirante, sem ter resposta, e agora estamos aqui. É indignante”, revoltou-se a mãe.

Na pediatria do Hospital Regional de Ceilândia (HRG), a cena se repete diariamente: filas gigantes, espera interminável. Para piorar, outros sintomas da crise econômica local acabam, com frequência, trazendo mais dificuldades para a população. Na semana passada, a greve dos vigilantes dos hospitais — finalizada na sexta-feira — esvaziou o pronto-socorro reservado para pacientes infantis. Pais que aguardavam há horas por uma consulta foram mandados embora, porque a unidade não tinha condição de atendê-los. Lusiane Feitosa da Silva, 40, foi uma das mães obrigada a procurar assistência em outro lugar. O filho dela, Victor Hugo, 2 anos, estava com vômito e febre. “Eu esperei durante cinco horas para ter que passar por isso”, queixou-se.

Fonte: Correio Braziliesnse

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